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domingo, 4 de dezembro de 2016

Um Texto da Era Pré-Lava Jato

A Ética da Desigualdade
ou
O Mundo é dos Vivos
fn

Saiu há pouco tempo uma estatística da ONU sobre a desigualdade no planeta. Em poucas palavras:
  • Os 2% mais ricos detêm mais de 50% da renda global
  • Enquanto isso, os 50% mais pobres ficam com apenas 1% de tudo que produzimos
No entender da direita, o problema é que, em algum momento de suas vidas, estes 50% (mais de três bilhões de almas desvalidas) ficaram para trás, seja por relaxamento, seja por desinteligência ou por falta de iniciativa...
Como diz Laura Bush, não há nada de errado com o dinheiro. Para ela, o importante é saber ganhá-lo em quantidades cada vez maiores, sem deixar que os governos abocanhem, através de impostos injustos, o que você ganhou com seu “talento“ (sic).
Claro que essa pérola deve valer tanto para o Canadá quanto para a Etiópia. No Brasil, os winners trabalham na avenida Paulista (só não suam a camisa devido ao ar condicionado); os losers coçam o saco em Maribondo, Abreu e Lima, Jardim Ângela, Complexo do Alemão...
E a “esquerda”? Tá uma bagunça só. Mas, de um modo geral, seus mais ilustres representantes acham que a solução é voltar ao passado e estatizar tudo, principalmente os empregos dos companheiros.
Depois de muitas cabeçadas na vida, concordo totalmente com a lei da física: “A toda ação corresponde uma reação. Igual e em sentido contrário”. A violência, de um jeito ou de outro, só gera violência. Não interessa quem começou a praticá-la. Quando se reage com violência, recebemos em troca mais violência ainda.
Mas é nesse ponto que cabe a pergunta: existe violência maior do que deixar na mão de 2% de privilegiados terráqueos mais da metade da riqueza do planeta? Esta é não só uma violência contra as pessoas, mas também contra as instituições, contra as sociedades, sobretudo, contra a natureza, que não costuma casar com os interesses desses espertos. Portanto, essa violência, segundo a lei da física, vai gerar mais violência.
Vai??? Dá uma olhada na violência doméstica, na guerra do trânsito, no vandalismo, na volta do racismo explícito...
No Brasil, esperto é aquele que faz o que Laura propôs, usando meios lícitos ou ilícitos, porém sem ser jamais desmascarado. Quer contratar uma leva de parentes? Não tem problema, a lei permite. Quer usar a influência de ex-ministro do STF para fazer lobby a favor de um grupo de poderosos? Não tem problema, a lei também permite.
Agora o que não pode é um presidente de TRT desviar mais de R$ 300 milhões. Isso a lei não permite. Portanto, quem cometer tal crime, vai pra prisão... domiciliar, esperto.
A hipocrisia chega a desnortear. Raciocínios simplistas e mal-intencionados conduzem-nos diariamente a falsas opções maniqueístas (sempre ele, o poderoso Manes Maniqueu). Se alguém é a favor dos direitos humanos e argumenta contra torturas e massacres em delegacias e penitenciárias, logo vem a perguntinha estúpida: “E os direitos humanos das vítimas? Quem vai defender?” Os espertos sabem que uma coisa nada tem a ver com a outra. No fundo, as duas são crias de uma sociedade autofágica, que responde com violência à violência que ela mesma gerou.
E dá-lhe Arruda, Zé Dirceu, Garotinho, Zé Sarney e sua laia, Collor e seus sequazes. Parece mentira? Ainda não vimos nada. Do jeito que a coisa anda, alguém vai dar um jeito de reescrever o famoso texto de
Ruy Barbosa: De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto e a sonhar com uma verbinha pra comprar uns panetones. Vai rindo, vai...



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